
No lançamento da iniciativa 2025-2026, nas páginas Web da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), pode ler-se: O concurso “Isto também é comigo!” vem desafiar os jovens a darem voz aos seus pensamentos. A partir da leitura do Jornal PÚBLICO, será selecionado o melhor artigo de opinião escrito por alunos do ensino secundário sobre um tema da atualidade mediática. Um júri, constituído por jornalistas, professores e alunos, reunirá, mensalmente, para apreciar os textos submetidos pelos professores bibliotecários de todo o país.
Os alunos do ensino secundário têm oportunidade de fazer ouvir a sua voz, na sequência de conteúdos publicados na edição impressa ou online do Jornal PÚBLICO que lhes tenham despertado a atenção. Os vencedores terão os seus textos publicados nas plataformas digitais do PÚBLICO na Escola e da RBE e nas respetivas redes sociais.
Em Fevereiro, foi o texto da Beatriz Brandão (11CT1) que saiu vencedor. Tendo como referência o artigo «Checkpoints nas ruas e jornalistas detidos: a repressão à dissidência aumenta na Venezuela», da autoria de Inês Chaíça, publicado a 8 de janeiro de 2026 no Jornal Público, a Beatriz colheu inspiração e elaborou o texto de opinião “Sombras de um povo sem voz”, submetido a concurso.
Importa referir que, na disciplina de Filosofia, a professora Vera Barbosa incentiva os seus alunos a participar nesta iniciativa da RBE/Jornal Público e a escrever textos de opinião. Todos os meses, a professora bibliotecária, Maria Ângela Tavares, vai submetendo, na plataforma da RBE dedicada, os textos de opinião que lhe são enviados pela professora Vera, com a autorização dos respetivos encarregados de educação, para que os seus educandos possam participar.
A biblioteca escolar assume-se como parte integrante do processo educativo. Com esta iniciativa, tendo como referência o respetivo regulamento, pretende-se promover o contacto dos alunos com a atualidade através da leitura regular da imprensa; incentivar a escrita de textos de opinião sobre temas mediáticos, respeitando as características, a estrutura e a finalidade desta tipologia textual; ajudar a compreender o modo como os textos mediáticos se alicerçam em conceções do mundo particulares e comunicam valores.
Esta notícia pode ser lida no blogue da biblioteca em Sombra de um povo sem voz – "Isto também é comigo!" Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos Carolina Michaëlis. O blogue está acessível a partir da página Web do Agrupamento Carolina Michaëlis (separador Bibliotecas escolares) e em Biblioteca Escolar / Centro de Recursos Educativos Carolina Michaëlis.
Boas leituras!
Link da BECRE:
Isto também é comigo!
Link do artigo de jornal:
Um “silêncio imposto pelo medo” levou Beatriz Brandão a falar. Venceu em janeiro
Textoi completo.
Um “silêncio imposto pelo medo” levou Beatriz Brandão a falar. Venceu em janeiro.
Sombra de um povo sem voz
Ao ler a notícia “ Checkpoints nas ruas e jornalistas detidos: a repressão à dissidência aumenta na Venezuela”, da autoria de Inês Chaíça, senti um aperto no coração. Fiquei profundamente perturbada com a realidade que atualmente vive aquele país. Não é apenas um texto sobre política, mas um retrato impiedoso de um povo que perdeu um direito básico, o de se expressar. A notícia demonstra que, mesmo depois de uma “grande” mudança política, os venezuelanos permanecem sob vigilância, cercados por ameaças e obrigados a um silêncio imposto pelo medo.
O que mais me escandalizou foi compreender que aquele silêncio não é sinónimo de serenidade, mas sim o reflexo de uma opressão profunda e invisível. É o retrato de uma população que vigia as próprias palavras e que apaga pensamentos antes de os expressar. Isto não é liberdade: é a dura arte de sobreviver em constante estado de alerta.
É bastante revoltante pensar que, em pleno século XXI, ainda existam países onde expressar uma opinião pode custar a liberdade, ou a própria vida. A repressão não é apenas física, é psicológica. Ela destrói lentamente a coragem, a esperança e a identidade de um povo.
Há quem afirme que a política é uma realidade distante, que não nos diz respeito. Contudo, essa ideia é uma ilusão perigosa. Quando toleramos que um povo seja privado da sua voz, estamos, na verdade, a abrir caminho para que o mesmo possa acontecer em qualquer parte do mundo, inclusive connosco. A liberdade de expressão não é um privilégio reservado a alguns, mas um direito humano imprescindível.
Esta notícia não é apenas sobre a Venezuela, é sobre todos nós. O medo não deve ser visto como algo banal e o silêncio imposto não pode ser ignorado. Não nos é permitido desviar o olhar quando milhões de pessoas são condenadas a existir como sombras, aprisionadas pelo receio da própria voz. A liberdade necessita de ser defendida, pois, quando desaparece, leva consigo a dignidade, a esperança e o futuro.
Beatriz Teixeira Neves Brandão, 11.º ano
Agrupamento de Escolas Carolina Michaëlis, Porto



